Reflexo condicionado

O marasmo saiu à rua num dia assim? Então mas eu sai à rua 2 vezes o ano passado e não acontece nada?

Eu a pensar que as mudanças se faziam com simples pedidos e boas maneiras… Já sei o que fazer, vou fazer uma petição, isso sim muda tudo… mas agora as pedras não olham a meios para expressar eloquentemente a resposta ao silencio duma torre de marfim que há muito deixou de dialogar, talvez devido à falta de pagamento das contas da EDP (e dos esgotos) em resultado duma austeridade mais baseada na mentira ideológica que na evidência empírica.

Que importa isso quando o nome de Franky Vercauteren dito em voz alta pode provocar mais suores frios que uma ameaça formal do Gerard Depardieu se tornar russo… tenho a sensação que fomos mordidos pelo excesso de informação, a quem importa se o BPN nos sugou o tutano, a quem importa que o BANIF nos venha roer os ossos? Isto é tudo fogo de vista, venha mas é mais uma lobotomia generalizada para ver se a malta se acalma.

A estupefacção que aparentemente faz com que entremos em modo de negação. “Isto não é nada comigo!”, “Isto não me esta a acontecer!”, “Olha que eu me chateio muito!”… Diz isto quem de quando em vez escreve “Acorda Portugal” no Facebook.

Somos todos pequenos heróis com a razão, mas ao mesmo tempo caguinchas de alma e coração. Mandamos os outros trabalhar ou lutar pelos nossos direitos,lavando as mãos de qualquer responsabilidade para que possamos dormir… mesmo que com fome porque isso de ser um cidadão interveniente é tudo muito bonito, mas na vida “real” as coisas são muito mais complicadas. Tantos problemas, muitos, grandes, feios e peludos, os quais só encontram paz nos cuidados paliativos do tédio. Todos reféns da santa quadratura do marasmo: medo, violência, amor apaixonado e sexo.

E enquanto nos entretemos nesta dança a 33 rotações por minuto,a ideologia mascarada de parecer técnico vai dando azo a uma suposta refundação do estado social, que mais não é que a destruição do ultimo pilar do mesmo…enquanto seguimos imersos na apneia do sono e esses abutres entram por aí sem dó nem piedade escavacando o pouco que ainda sobra do rectângulo.

É aflitivo assistir à capacidade dos portugueses para se ajoelharem, para acenarem e estarem sempre prontos para receber a palmadinha nas costas como recompensa pelo exercício de submissão, já é quase um reflexo condicionado de um povo que parece ter perdido a espinha dorsal ao longo das últimas gerações. Não sucede casualmente este fenómeno. Contentamo-nos com o menos mau. Não queremos lutar pelo melhor. Criticamos quem luta! “ACORDA PORTUGAL”, escrevo eu no facebook.

Pronto, já posso dormir descansado.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s