O jogo do lencinho

O jogo do lencinho.

O inevitável acontece, finalmente o desgovernado titanic português começa a oscilar, lentamente é certo, mas é já impossível esconder o embate que se aproxima, é já impossível disfarçar o medo de afundar nas águas profundas e geladas da depressão económica e da fome que sempre ondularam à volta enquanto fingíamos que não se passava nada… o sinal dos ratos atarantados nunca engana, já começaram histéricos a dispersar… a tripulação sente-se enganada pois ao que parece o barco vai mesmo ao fundo.
Levantam-se nas sombras enraivecidas da memória, pressente-se o motim, a raiva. Armados quais piratas selvagens carregam nos punhos fechados duras grandolas enraivecidas prontas a disparar.
A punição está à vista, a turba amotinada busca desesperadamente linchar o almirante, o capitão, o tenente… em vão parece, o grandolar não lhes é doce e escondem-se como escumalha que são…

Não!

Não há justificações para tanto mal que nos fazem!
Não há justificações para ficarmos parados.
Não há justificação para não ver o que realmente está a acontecer.

Paremos de inventar.
Paremos com manifestações brandas de hora marcada.
Paremos com esta merda!

Eu cá tenho medo é que o medo não se acabe! Esse medo que funciona com um simples susto. Esse medo que nos faz confiar em quem nos tem roubado. Esse medo de nós próprios.

A justificação que não se justifica resume-se numa só palavra: abstenção.
Abstenção de votar, abstenção de pensar, abstenção de questionar, abstenção de discordar, abstenção de discutir, abstenção de agir, abstenção de sonhar, abstenção de viver.

E enquanto cada um continua a insistir em ver-se a si próprio como um refugiado duma guerra que não é a sua, a invasão colonizadora mascarada de crise financeira prossegue com a sua agenda de dominação e escravidão. Longe vão os tempos em que eram necessárias ditaduras militares multinacionalmente subsidiadas para impor a exploração económica dum estado. A sofisticação dos confrontos bélicos atingiu o seu auge pois ao criarem tantos modelos de guerra conseguem assim eliminar o conflito directo per si e no entanto somos assolados por uma guerra financeira de tão brutal intensidade que quando dermos por nós, quando nos cansarmos das lamentações, quando finalmente abrirmos os olhos para ver e sentir o que se está a passar será tarde demais… ao nosso lado vão estar já ajoelhados e sem esperança os nossos irmãos e os nossos pais… e tal como eles vamos ajoelhar também.

A guerra já está aqui.

Chamam-lhe pobreza e fome e mata-nos lentamente, mas vai chegar a vez de cada um. É tempo de ombrear com o próximo e parar com a pilhagem. É tempo de deixarmo-nos de merdas e fazer. Fazer seja o que for… mas fazer! Deixar de ser eternamente conservadores e respeitadores dos bons costumes!

É tempo de sermos um Povo “mal comportado”! É tempo de sermos Povo foda-se!

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